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  • Geyson Gabriel Frare

A hegemonia do “Plim Plim” acabou?

Essa semana a narrativa contra emissora que já tinha como principal antagonista o presidente Bolsonaro, ganhou mais um tempero com o vídeo divulgado pelas redes sociais do prefeito carioca Marcelo Crivela, que acusou a Globo de manipular contra seu governo, nem todos sabem, mas a “encrenca” do Crivela com a emissora vem desde sua campanha, mas afinal de que lado a Globo está? E sua hegemonia chegou ao fiml?


Era outubro de 2012 e o Brasil parou para ver o último capitulo da telenovela global “Avenida Brasil”, nada de anormal para época, nem sete anos atrás a emissora carioca era maior responsável por unir os brasileiros em frente a uma tela, seja pela final da novela, final de um reality show, final de um campeonato de futebol ou até mesmo pelo fim de um domingo com Fausto Silvio e logo depois a exibição de sua “a revista eletrônica semanal” denominada Fantástico, lembro que até professores do meu curso de Publicidade e Propaganda sugeriam assistir.


Naquele tempo, que não é muito tempo atrás, certa vez um tio meu, me disse: - Temos a Globo, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Realmente a Marca Globo poderia ser considerada o primeiro dos “quatro poderes do Brasil”, era hegemônica, intocável, INCONTESTÁVEL, não apenas por ser o maior grupo de mídia do Brasil, mas também a maior força de manobra de massas do país e talvez pelo tamanho do Brasil foi uma das maiores do mundo. Um presidente não era eleito sem a benção da família Marinho, há que o diga LULA, que teve sua eminente eleição perdida depois do polêmico debate contra Collor, exibido, produzido e manipulado pela Globo em função de Collor, já anos mais tarde a mesma Globo que tirou a eleição de Lula em 1989, deu a ele e ao PT (com uma grande ajuda do baiano Duda Mendonça) a vitória.



Sim, a Globo já foi a favor e contra o regime militar, já foi a favor e contra o Lula, então afinal de qual lado a Globo está? Dê um único lado, o lado dela. Na lista dos maiores bilionários do país divulgada pela revista Forbes Brasil, vimos empatados na 6ª posição João, José e Roberto Irineu Marinho com 4,3 Bilhões de dólares em patrimônio, os herdeiros de Roberto Marinho juntos acumulam juntos praticamente 13 Bi de dólares.


Apesar de ainda ser uma grande potência, o futuro da Rede Globo parece cada vez mais incerto, e não só por conta do desprestígio de seus principais produtos como o Jornal Nacional com seu editorial duvidoso, que não agrada “nem gregos e nem troianos”. Há também a clara oposição do governo Bolsonaro a emissora com cortes de investimentos com propaganda institucional nos veículos do grupo.


Mas o principal perigo para emissora carioca vem de mais longe, mais precisamente do Vale do Silício na Califórnia, sim as redes sociais como Facebook e Youtube e os serviços de Streaming como a Netflix e a Amazon Prime, tem feito a relevância da emissora cair cada dia mais. O Share da emissora que já superou 50% do mercado brasileiro hoje é de 13%, tendo o Youtube como segundo colocado com 12%. A tela que reuni os brasileiros não é mais a da TV, não a convencional pelo menos, mas sim a tela dos Smartphones, SmartTVs e dos computadores, ou melhor nem reuni mais, temos uma audiência cada vez mais heterogênea, e nos dias atuais é impossível qualquer emissora conseguir reunir um público tão segmentado em torno de uma única atração, como uma novela, e convenhamos a qualidade de produções daqui não chega nem perto da qualidade das produções “Netflixianas”.


E por mais que os esforços das Globo de entrar nesse novo mercado vem acontecendo, parece tudo muito ineficaz, a plataforma Globo Play é muito instável, os Youtubers que a emissora contrata parecem que sofrem uma dessalinização quando vão para a emissora, e não apresentam nada nem perto que apresentavam no Youtube na tela da TV. Pratas da casa? Pouca coisa boa ou quase nada tem surgido do departamento de “PED” da emissora.


Sem grandes novidades, com um novo mercado e novas mídias, não há maiores anunciantes, ou pelo menos não há mais grandes investimentos como havia, apesar de a Globo ainda ter muita lenha para queimar, ela não conseguirá se manter acesa por muito tempo, não da forma que conhecemos ou conhecíamos. Veremos em um curto/médio espaço de tempo uma mudança gigante na emissora, e isso não acontecerá por conta de um governo (até pode ajudar), mas acontecerá pelas mãos dos mesmos que quebraram a Nokia e a Kodak, o mercado e o consumidor. Vamos acompanhar os próximos capítulos.

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